Carteira SmallCaps 2009

Abaixo estão os gráficos mensais dos ativos integrantes da atual carteira Smallcaps. Para visualizar a escala de valores anual, posicione o mouse sobre o gráfico (até carregar a imagem). Visite o website da empresa clicando no código da ação.

Última alteração: Abril de 2009


EQTL3
HBOR3
SULA11
ETER3
PRVI3
CTSA3
BEEF3
BICB4
PINE4
SGAS4
SLED4
TKNO4
BGIP4
BRIV4
CRIV4
CNFB4
CEBR3
MGEL4
MRSL4
ECPR4
BTTL4
FHER3
MWET4
TGMA3
CTAX4
BAUH4
EZTC3
GRND3
RAPT4

Fonte dos gráficos: ADVFN Brasil


Muitas vezes o “porto seguro” está nas small caps. Retorno superior a 65% no ano

Começo a postagem a respeito do desempenho da carteira small caps no mês de maio com mais uma frase, assim como foi feito em abril: “As blue chips são mais seguras para a crise”. Este mito dito insistentemente pela imprensa especializada deve ser comparado aos fatos. E eles não deixam dúvidas:

Diversas empresas do segmento das blue chips tiveram um desempenho muito ruim no primeiro trimestre, sendo amplamente afetadas pela crise, como é o caso de muitas siderúrgicas.

De forma oposta, uma quantidade razoável de companhias small caps tiveram desempenho superior, como se ignorassem a crise. Muitas delas fazem parte da carteira divulgada neste blog. A verdade é que o que determina a segurança de uma decisão de investimento definitivamente não é o tamanho da empresa e sim: a própria situação patrimonial e de resultados; como estão as perspectivas para o segmento; quais fatores afetam a lucratividade; a capacidade da administração e o preço que você paga pelas ações em relação ao valor que elas possuem. E isto tudo nada tem a ver com tamanho.

Portanto, é importante saber que muitas vezes “o porto seguro pode estar entre as small caps!” Diversas elétricas, bancos médios e construtoras bem administradas, que mantiveram caixa adequado, foram alternativas muito mais seguras que famosas blue chips.

Falando especificamente sobre a carteira small caps, assistimos no mês de maio a alta generalizada das empresas, nos mais variados setores. Apenas citando aqueles que subiram ao menos 20% temos: PINE4 (26,24%), EZTC3 (25,66%), TGMA3 (23,75%), HBOR3 (20,76%), SULA11 (29,32%), PRVI3 (34,19%), BEEF3 (34,80%), FHER3 (47,06%), MWET4 (43,19%), CEBR3 (36,36%) e INEP4 (31,07%).

Portanto, novamente os bancos médios e as construtoras mantiveram a tradição de potencializar o retorno da carteira, tema este bastante repetido por aqui. PINE e BICBANCO já estão com retorno médio de 150% neste ano. As construtoras EZTEC e HELBOR superaram mais uma vez alta de 20% no mês e atingiram ganho acima de 90% no ano. EZTEC anunciou um resultado trimestral que superou a expectativa até mesmo dos mais otimistas, mostrando a capacidade de adaptar-se ao momento econômico e, ainda em maio, lançou o maior empreendimento da sua história, atingindo rapidamente grande volume de vendas.

Destaque também para o retorno da Providência: muito embora quase todas as cotações das ações das companhias do segmento industrial tenham caído fortemente, nem todas sofrem em idêntica proporção os efeitos da crise econômica. A Providência, como destacado quando ingressou na carteira, em abril, possui demanda menos elástica pelos seus produtos (nãotecidos utilizados na produção de produtos higiênicos e fraldas, por exemplo) e tem focado na produção de itens de maior valor agregado.

O mês marcou ainda o poder de retorno dos turnarounds. Este é sem dúvida um dos segmentos que mais gera debates e confusões: o fato é que há enorme diferença entre uma small caps promissora, dotada de indícios de que esta melhorando a sua situação, e diversos micos que perambulam no mercado.

O grupo formado por BEEF3, FHER3, MWET4 e CEBR3, subiu em média 40,35%. Relevante novamente o desempenho das ações de companhias que possuem dívida em dólar e que caminham para conquistar ganhos cambiais substanciais no trimestre atual.

Lembre-se sempre de acompanhar os resultados empresariais das empresas selecionadas, de fazer uma adequada diversificação e de que ninguém melhor do que você pode cuidar dos seus interesses.

Abraços,
Small caps – Anderson Lueders
Autor do livro: “Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso”.


Ações que compoem a carteira small caps para o mês de junho e o retorno acumulado no ano (66,46%).


Observações sobre a apuração do retorno:

Nos cálculos de rentabilidade estão considerados os proventos distribuídos e as bonificações efetuadas.

O índice anual refere-se à rentabilidade anual acumulada até o mês de ingresso na carteira, de modo que as ações recebem o peso proporcional ao número de ações até aquele mês. Este peso é somado ao peso total inicial da carteira para fins de cálculo da rentabilidade média anual.

A rentabilidade mensal é calculada conforme a média aritmética das 21 posições em carteira (19 ações diretamente e 2 grupos de 4 ações, conforme mencionada na postagem).

As ações que saíram da carteira têm o peso inicial somado ao conjunto e subtraído o montante que representavam quando da retirada.




Alterações na carteira - Abril

Saem os papéis:

Metal Leve (LEVE4): teve perdas com hedge, que ainda devem afetar o resultado de 2009, uma vez que no passivo circulante consta a cifra de R$ 232 milhões relativa a prejuízos com derivativos. Como seu preço em relação ao faturamento não é tão depreciado como outras empresas que tiveram pesadas perdas com derivativos, esta saindo a partir de abril da carteira small caps.

Brascan (BISA3): Além de objetivar a diminuição do peso da construção civil na carteira, que já tem outras três companhias do segmento (ETER3, EZTC3 e HBOR3), Brascan teve uma seqüência de fatos negativos.
Primeiramente, a conjuntura econômica mostrou que a aquisição da Company não foi realizada no melhor momento. Atualmente, provavelmente o preço a ser pago seria menor. Segundo, isto contribuiu para a necessidade de chamada de capital por meio de subscrição de novas ações, diluindo a participação acionária de quem não aplicou mais recursos e piorando os indicadores fundamentalistas como P/VPA e P/L. Por fim, as novas regras contábeis afetaram bastante os seus resultados.


Ingressaram as ações SLED4, PRVI3 e GRND3 e RAPT4.

Resumidamente, sobre as empresas:

A Saraiva, que já subiu 11,51% nos primeiros dias de abril, negocia atualmente com P/L abaixo de 7, P/VPA 1,4 e PSR 0,44. Surpreendeu com o forte crescimento da receita e do lucro líquido em plena crise. Costuma ter os melhores resultados no primeiro e no quarto trimestre de cada ano. As lojas da Siciliano que foram reformadas trouxeram vendas até 100% maiores e há muito a ganhar com esta aquisição.

A Providencia (alta de 24,07% até o dia 03/04) também negocia com P/L abaixo de 7, P/VPA 0,6 e PSR 0,55. Atua no segmento de não tecidos. A demanda por seus produtos não deve sofrer tanto como as demais atividades econômicas. Beneficia-se da alta do dólar por meio das exportações, o que contribuiu para o bom desempenho no quarto trimestre.

A Grendene (alta de 6,55% até o dia 03/04) negocia com P/L 5, P/VPA 0,98 e PSR 0,93. Tem DY de 9,1% e custa apenas uma vez o ativo circulante líquido, conforme site www.fundamentus.com.br. Também pode se beneficiar da alta do dólar em razão das exportações, o que já elevou substancialmente o preço médio em Reais praticado por unidade vendida para o exterior.

A Randon (alta de 7,78% até o dia 03/04) é historicamente uma empresa com excelente gestão e que dificilmente chega a ter múltiplos tão atrativos. Negocia com P/L 4,2, P/VPA 1,23 e PSR 0,32. Tem ROE de 29%. É grande a possibilidade de diminuir a lucratividade em 2009, até porque já anunciou quedas fortes na receita nos primeiros dois meses do ano. No entanto, parte disso será compensado com o custo menor das commodities e pelo aumento da receita em Reais por unidade vendida ao exterior. Portanto, nesta fase negativa do ciclo, pode-se estar diante de uma oportunidade única de compra de uma empresa superior.


O imediatismo e a arte de semear – aspectos emocionais.

Os últimos meses têm apresentado aos investidores uma bolsa até então desconhecida para muitos.
Aquela maravilhosa alternativa de investimento em que durante 5 anos era apenas necessário comprar sem muito critério não se comporta mais da mesma maneira.
Durante muito tempo, investidores buscaram por empresas baratas. Encontrar uma empresa com indicador Preço/Lucro de algo próximo a 8 era um excelente negócio. Quando, alem disso, pagava 5% da cotação em dividendos, estava ali uma grande oportunidade.

Quase tudo era questão de tempo. Pouquíssimo tempo. Qualquer notícia era motivo para disparada de cotações. Que o diga o pessoal que surfou na onda da Telebrás e de tantos outros ativos de duvidosos fundamentos que subiam sem muito critério. O céu era o limite das altas. Commodities subiriam sem parar e sempre. O setor, cíclico que é, parecia que estava deixando de ser. Ledo engano.

A realidade pode custar a chegar, mas ela esta aí. Voltamos para o início do ano de 2008. As recomendações quase uníssonas dos analistas da época: “o primeiro semestre será turbulento, melhorando a partir do segundo semestre”. Com o investment grade: “Bolsa de valores é a grande opção do momento”. O que vimos? Um excepcional início de ano para a bolsa após o susto de janeiro e um início de segundo semestre que vai demorar para ser esquecido… exatamente o contrário…

O que encontramos atualmente no mercado? Aquelas ações do sonho, com a relação Preço/Faturamento (PSR) abaixo de 0,5, com P/L 3, 4 com os resultados atuais e P/VPA já abaixo de 0,5 estão hoje disponíveis aos montes. Várias pagam mais de 10% em dividendos, chegando a mais de 20%. Inacreditavelmente ninguém quer… Qual a lógica para comprar alguma coisa pagando 300, 500% acima do preço atual e achar que fez um bom negócio e agora ficar com medo de comprar por 1/5 do valor em alguns casos?

É o que podemos chamar de emoção. Ela é cruel nos investimentos. Quando tudo sobe, o investidor fica super confiante e compra ao menor sinal de que algo de bom pode acontecer. Na queda, surge o medo que domina as operações. Isto é normal e o melhor antídoto é a capacidade de ser racional e utilizar-se de técnicas de investimento de análise de valor, seja qual for o cenário. Assim, você enxerga a chance de vender e de comprar, ainda que a multidão esteja gritando o contrário no seu ouvido.

Nos mercados de queda mais prolongada é que surgem mais facilmente aquelas oportunidades que 5, 6 anos depois serão as superações que sobem 1000, 2000%. Dificilmente se encontra isto após anos de alta. Quanto mais longa a queda, maior será a quantidade de oportunidades.

Convém recordar-se neste momento do ano 2000 até o último trimestre de 2001. Várias empresas soltavam excelentes resultados e pagavam fartos dividendos em relação à cotação, mas nem por isto subiam. Foram anos em que muitos desistiram do mercado, pois não tiveram a capacidade de semear. Imperava para estes o imediatismo. Quem permaneceu comprando as barganhas que surgiam a cada rodada de balanços trimestrais, com método e tranqüilidade, teve uma excelente colheita, com altas memoráveis.

E a história sempre se repete. Podemos, portanto, estar diante, desde o segundo semestre de 2008, de um período para semear, com a compra de empresas de diversos setores que estejam muito subavaliadas. É essencial ir aos poucos, utilizando o fluxo de caixa para aproveitar e montar uma carteira de ações com potencial excelente. No próximo ciclo de alta, você poderá agradecer este momento…

Aliás, vários ativos já se valorizaram mais de 100% desde o ápice do pânico, inclusive integrantes de setores “abominados” pelos analistas.

Fonte: ADVFN