O imediatismo e a arte de semear – aspectos emocionais.


Os últimos meses têm apresentado aos investidores uma bolsa até então desconhecida para muitos.
Aquela maravilhosa alternativa de investimento em que durante 5 anos era apenas necessário comprar sem muito critério não se comporta mais da mesma maneira.
Durante muito tempo, investidores buscaram por empresas baratas. Encontrar uma empresa com indicador Preço/Lucro de algo próximo a 8 era um excelente negócio. Quando, alem disso, pagava 5% da cotação em dividendos, estava ali uma grande oportunidade.

Quase tudo era questão de tempo. Pouquíssimo tempo. Qualquer notícia era motivo para disparada de cotações. Que o diga o pessoal que surfou na onda da Telebrás e de tantos outros ativos de duvidosos fundamentos que subiam sem muito critério. O céu era o limite das altas. Commodities subiriam sem parar e sempre. O setor, cíclico que é, parecia que estava deixando de ser. Ledo engano.

A realidade pode custar a chegar, mas ela esta aí. Voltamos para o início do ano de 2008. As recomendações quase uníssonas dos analistas da época: “o primeiro semestre será turbulento, melhorando a partir do segundo semestre”. Com o investment grade: “Bolsa de valores é a grande opção do momento”. O que vimos? Um excepcional início de ano para a bolsa após o susto de janeiro e um início de segundo semestre que vai demorar para ser esquecido… exatamente o contrário…

O que encontramos atualmente no mercado? Aquelas ações do sonho, com a relação Preço/Faturamento (PSR) abaixo de 0,5, com P/L 3, 4 com os resultados atuais e P/VPA já abaixo de 0,5 estão hoje disponíveis aos montes. Várias pagam mais de 10% em dividendos, chegando a mais de 20%. Inacreditavelmente ninguém quer… Qual a lógica para comprar alguma coisa pagando 300, 500% acima do preço atual e achar que fez um bom negócio e agora ficar com medo de comprar por 1/5 do valor em alguns casos?

É o que podemos chamar de emoção. Ela é cruel nos investimentos. Quando tudo sobe, o investidor fica super confiante e compra ao menor sinal de que algo de bom pode acontecer. Na queda, surge o medo que domina as operações. Isto é normal e o melhor antídoto é a capacidade de ser racional e utilizar-se de técnicas de investimento de análise de valor, seja qual for o cenário. Assim, você enxerga a chance de vender e de comprar, ainda que a multidão esteja gritando o contrário no seu ouvido.

Nos mercados de queda mais prolongada é que surgem mais facilmente aquelas oportunidades que 5, 6 anos depois serão as superações que sobem 1000, 2000%. Dificilmente se encontra isto após anos de alta. Quanto mais longa a queda, maior será a quantidade de oportunidades.

Convém recordar-se neste momento do ano 2000 até o último trimestre de 2001. Várias empresas soltavam excelentes resultados e pagavam fartos dividendos em relação à cotação, mas nem por isto subiam. Foram anos em que muitos desistiram do mercado, pois não tiveram a capacidade de semear. Imperava para estes o imediatismo. Quem permaneceu comprando as barganhas que surgiam a cada rodada de balanços trimestrais, com método e tranqüilidade, teve uma excelente colheita, com altas memoráveis.

E a história sempre se repete. Podemos, portanto, estar diante, desde o segundo semestre de 2008, de um período para semear, com a compra de empresas de diversos setores que estejam muito subavaliadas. É essencial ir aos poucos, utilizando o fluxo de caixa para aproveitar e montar uma carteira de ações com potencial excelente. No próximo ciclo de alta, você poderá agradecer este momento…

Aliás, vários ativos já se valorizaram mais de 100% desde o ápice do pânico, inclusive integrantes de setores “abominados” pelos analistas.

Fonte: ADVFN Leia mais...

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Carteira SmallCaps: valorização de 10,51% em 2009


 A carteira Small Caps rendeu 2,37% no mês de fevereiro, em meio a queda de 2,8% do Ibovespa e 4,9% do índice do seu segmento. No ano, o retorno já supera em quase 9% o Ibovespa e em mais de 15% o recém criado índice Small Caps. As companhias incluídas no mês de fevereiro tiveram altas mais expressivas, com média superior a 17%. São elas: EQTL3, 27,71%; HBOR3, 22,5% e SULA11, 3,98%.
Este mês trouxe importantes lições:
Novamente ficou evidente que os mitos de que “blue chips” são mais seguras e que se deve sempre buscar ativos com grande “liquidez” que se comportam melhor na crise foram desmentidos. Como já disse em outras oportunidades: tudo depende de boas escolhas, embora a maioria do mercado e seus analistas sigam dizendo todo dia o contrário na imprensa especializada…
A reação aos resultados e as expectativas em torno deles, quando os preços das ações estão deprimidos, geram fortes retornos. Investidores que enxergam no balanço o potencial de lucro das companhias com antecedência podem se beneficiar da ineficiência do mercado quando precifica as ações. Os exemplos mais evidentes neste mês foram em Equatorial Energia e Confab. A EQTL3 publicou seu resultado anual com forte lucro e com o anúncio de proventos que atingia quase 25% do valor que a companhia estava cotada quando ingressou na carteira small caps.
A CNFB4, por sua vez, como já antecipado na mudança da carteira small caps em outubro de 2008, visando equilibrá-la ao novo cenário econômico de alta do dólar, trouxe bons resultados operacionais, e teve o lucro líquido turbinado pelo fato de ter o seu expressivo caixa denominado em dólar. O ganho no mês complementou o retorno próximo de 40% desde a indicação para a carteira small caps.
E ainda com base na reação aos resultados, a HBOR3 trouxe importante contribuição ao retorno da carteira, com grande probabilidade de estar reagindo ao anúncio de boas vendas no quarto trimestre, enquanto o mercado já precificava o apocalipse. Ainda do setor das construtoras, a EZTC3 diminuiu as perdas no ano, com ganho de 10,55% no mês.
O mês contou também com a continuidade do bom desempenho das ações do setor bancário, com Banco Pine e Banese subindo pouco mais de 12%, compensado parcialmente com a realização de lucros ocorrida no Bic Banco de 9%. No ano, a cotação das ações do banco Pine lidera as altas com aumento de 64,32%.
Neste mês nenhuma ação da carteira small caps teve desempenho com queda superior a 10%. Todas as demais ações não citadas variaram na banda entre – 10% e 10%.
A única mudança para a carteira small caps de março é a saída da Pettenati. Empresa têxtil que trouxe expressivos retornos superiores a 250% para a carteira small caps em 2007. Chegou a permitir realizações de lucros com vendas superiores a R$ 16,00, poucos meses após o ingresso na carteira por R$ 4,50. No último balanço divulgado, ficou evidente queda na receita e nas margens operacionais, bem como a informação de maiores dificuldades no seu projeto de expansão internacional. A Pettenati teve um estudo no livro Investindo em SmallCaps especificando as razões que levaram as cotações da companhia a terem o desempenho ocorrido no ano de 2007.
As demais companhias permanecem, seja por terem divulgado bons resultados em relação aos preços atuais (PINE4, BICB4, BGIP4, CTAX4, CNFB4, EQTL3 e SULA11) ou por ainda não o terem feito. No mês de março saem todos os demais resultados anuais.

Alerto que o resultado das companhias Mangels, Heringer, Minerva e Metal Leve devem vir afetados negativamente por efeitos cambiais, podendo abrir boas oportunidades de compra com preços ainda mais depreciados. São ativos que devem ser avaliados conforme empresas em situação especial atualmente, e o posicionamento, dado os riscos envolvidos, deve ser em menor quantidade de capital. A relação entre o valor de mercados destas empresas e o faturamento líquido anual (PSR) é, na seqüência, 0,13, 0,06, 0,06 e 0,26. Ou seja, no máximo têm valor de mercado equivalente a um trimestre de faturamento. Estão no mesmo pacote que FTRX4, ESTR4 e WISA4, companhias que possuem patrimônio pesadamente negativo, muito diferente da situação daquelas, que, apesar do prejuízo cambial evidenciado até o terceiro trimestre, mantinham liquidez corrente superior a 1.
Segue a carteira atualizada, com o desempenho anual:

Fonte: ADVFN
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